domingo, 5 de junho de 2011

Bitucas recicladas ajudam a recompor áreas degradadas

Tecnologia desenvolvida no Paraná retira resíduos tóxicos das pontas de cigarro e as utiliza no processo de hidrossemeadura


O hábito de fumar já foi alvo de diversas campanhas contrárias à prática, inclusive com a criação de leis. Em abril de 2009, foi aprovada a lei antifumo, que proíbe o uso do cigarro em ambientes fechados em todo o Estado de São Paulo. Deixando de lado o fato de que fumar não faz bem a saúde, o ato de jogar a ponta do cigarro no chão é muito comum e aumentou ainda mais com leis antifumo e com a criação de fumódromos externos, mas pouca gente percebe que a bituca é um lixo ainda mais perigoso por conter substâncias tóxicas. O que fazer?

Por conta dessa falta de educação e às vezes até descuido, o empresário Roberto Façanha, da empresa Ecocity, responsável por implementar soluções ambientais inovadoras em empresas, comércios e órgãos públicos de Curitiba, criou o programa Bituca Zero que além de coletar as pontas de cigarro, faz a reciclagem das bitucas de locais que solicitem o serviço.


Segundo Façanha, o interesse pelo tema surgiu devido à preocupação com o excesso de bitucas presente nas ruas de Curitiba, onde o consumo de cigarros gera cerca de oito milhões de resíduos desse tipo diariamente. “Muita gente não enxerga a questão como um dano. Pensam que o problema é só da prefeitura. Mas a mentalidade está mudando, os órgãos estão acreditando”, diz o diretor da Ecocity.


Após um ano e meio de pesquisas com biólogos, o sistema teve início em 2011 e já possui contato de empresas, além de uma parceria com a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Com a implantação de coletores de bituca nos lugares solicitantes, a arrecadação é feita a uma ou duas vezes por semana. A contagem ocorre no local e o material é destinado para a reciclagem.


A reciclagemO processo faz com que todas as partes da bituca sejam reaproveitadas. O restante do tabaco, o filtro e o papel são separados por um processo mecânico e todo o resíduo é colocado em um biodigestor. Depois de 90 horas, bactérias específicas quebram as toxinas e as retiram dos resíduos, que passam por uma separação.


Os filtros irão compor uma manta de sustentação que ajudará em processos de hidrossemeadura (processo que reveste encostas sem vegetação) em locais degradados, já o papel e restos de tabaco serão usados como fertilizantes, que posteriormente podem ser aplicados na mesma área que a manta está sendo usada.


O cigarro possui cerca de 4,7 mil substâncias tóxicas e as bitucas podem causar estragos como poluição das ruas, entupimento de tubulações e contaminzação de rios córregos. Segundo Roberto Façanha, “não adianta só coletar, mas sim dar uma destinação correta ao material ao invés de queimar”. A expectativa do inovador é de que a iniciativa se repita em outras cidades do Brasil e que as cerca de cinco toneladas coletadas de resíduos coletadas diariamente em Curitiba ganhe mais dígitos no restante do país.


Texto: Diego Menezes




Um comentário:

Roberto Façanha disse...

Burgel.
Obrigado pela publicação e pela participação no Blog.
Fico muito satisfeito em poder contar com você nesse trabalho.
Já tentei falar com o Diretor de Parques da PMC para implantar o PROGRAMA BITUCA ZERO no Pq.Barigui.
Mas infelizmente ele não deu importância ao assunto.
E olhe que bitucas não faltam por lá.
Mais uma vez obrigado e parabéns pelo seu trabalho.